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Resolvi Mudar: Largando a receita azul



(...) Quando olhou aquela receita azul, se viu diante de sua total incapacidade. Estava entrando no jogo de novo. 
Pensou consigo: Eles Venceram.
O olhar triste já não escondia tamanho arrependimento. Porque optaria sempre pelos outros, qual o motivo de sempre querer agradar, porque as pessoas nunca podereiam receber um 'não' seu.
 Um triste pensamento: a inutulidade.
_ Vc precisa descançar- Disse o médico sorrindo.
- Seu organismo está reagindo, tente dormir e tudo ficará bem. 
Guardou a receita na bolsa e respirou fundo.
Saiu da consulta atordoada, estava muito preocupada com o que sentia.
Sabia que não estava bem, essa tal  síndrome do pânico  era um tema lido em revistas e jornais , que doença era essa que a desgastava tanto. E as vozes aquelas vozes , resultado do subconciente cheio de estórias não terminadas, de fatos incompletos, de orientações não seguidas, de ofensas dirigidas.
Pegou o ônibus, ela só se deu conta que estava em casa quando entrou em seu quarto. Deus a guiou.
Queria ficar sozinha e buscar dentro de si , aquela força interior tão elogiada pelos amigos e tão esquecida por sua família, deitou na cama e chorou .
 Chorou e adormeceu.
Durante as horas que dormiu , teve um belo sonho.
Vários flashs de sua vida passavam, parece que sua mente tinha escolhido só momentos brilhantes, suas conquistas, suas alegrias, em seguida uma outra sequencia a mostrou  a verdade que ela não queria ver.
Como num filme, lembrou de todos os momentos que necessitou de apoio  e congratulações familiares e nunca conseguiu chamar a atenção deles. Nunca.
Por melhor boa intenção que tivesse, ela nunca recebera um afago , um carinho , um parabéns!!! Sempre seguindo todas orientações e nunca buscando decepcioná-los na esperança qu e um dia fosse recompensado. Mas esse dia não chegará.
-Vc sabe fazer ago que preste?
-Foi vc que vez? não deve dar certo?
-Gorda como vc está, logo teremos que fazer  uma cadeira especial!
-Vc não tem nada, carro, uma faculdade vagabunda, um emprego de peão!
-Arruma tuas coisas elas me irritam qdo bagunçada!
-Vai fazer o almoço, hoje nunguém come!
-Levanta dessa cama, por isso não emagrece , DVD não enriquece!!!
-Resolvi dar suas coisas pois elas estão enchendo minha casa!
-Cala a boca!!! Tu e Merda. são as  mesmas coisas!
-Para de rir , tua risada me ofende. Ou esqueceu q estou doente?
-Qdo menos imaginar jogo fora suas gatas!!!
-O que tu come vc esquece!
-Te cala!!!
-Já pagou as contas, e não esqueça que me deve...
-Nunca deveria ter voltado , Se sair não vai fazer falta a ninguém!!!
-Sangue é Sangue!!!
Acordou. Eram quatro da madruga.
Todas aquelas frases pronunciadas tão constantemente, jogadas assim de uma só vez. Estava suada, com a respiração ofegante. Pensou em beber um pouco de agua, mas saberia que ligar a luz aquelas horas seria o motivo de mais uma briga. Então resolveu lavar o rosto.
Não tinha água, uma estratégia para economizar.
Levantou no escuro e foi a geladeira, encheu o copo e lentamente lavou a alma.
Mais tranquila, percebeu que aquele definitivamente não era seu habitat.
Ficou acordada até o amanhecer.
Às 05:15 da manhã, pegou o temível papelzinho azul  e o rasgou.
Não ia fingir.
Ia  enfrentar , iria recomeçar!
Descobriu naquela noite agitada que os fantasmas estão dentro de nós mesmos, que adormecer não resolverá nada. Que aquela realidade não iria ser mudada, que o seus sonhos não podiam ser sacrificados nem esquecidos. Que  o fato de estar sozinha era um presente de Deus de se ver no seu íntimo, e definitivamente levantar a cabeça e afirmar.
A gente só é infeliz quando fazemos o que os outros querem, se resolvermos nos bancar e fazer o que queremos a felicidade estará presente o tempo todo
minha autoria

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