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(Belas e imortais) PIN-UP's

http://arquivosdegaveta.blogspot.com/2008/07/imortais-pin-ups.html

(Belas e imortais) PIN-UP's

Quando surgiram, no final do século XIX, na França, sua denominação e formas ainda não eram as que hoje conhecemos. Inspirados pela Art Nouveau, em voga naquele momento, Alphonse Mucha e Jules Cheret criam um estilo que influenciou diversos ilustradores e personificou o ideal masculino de mulher.
"As primeiras imagens femininas em poses sensuais tornaram-se propagandas pujantes nos cartazes de uma época em que os teatros de revistas transformavam dançarinas e atrizes em estrelas". Na América, a revista
Life se encarregou de reproduzir o fenômeno, trazendo em suas páginas, em 1887, a chamada Gibson Girl. Um belo exemplar dos dandies, tão coberta e comportada que é difícil associá-la ao protótipo de Pin-up que habita nosso imaginário. "Mas capaz de seduzir os rapazes com seu charme e as moças com suas roupas na moda. Tanto que, em 1903, Charles Dana Gibson era o ilustrador mais bem pago do país".

Além de reconhecimento, o novo século iniciou com produções mais ousadas. Os desenhos de Raphael Kirchner merecem destaque por apresentar, na década de 1920, a vida parisiense através de mulheres sedutoras, com pouca ou nenhuma roupa – por vezes preservando apenas o púbis – e em situações que sugeriam lesbianismo. "Apesar da censura, os traços elegantes do movimento Art Nouveau acabaram por tornar aceitáveis as figuras desnudas, que passaram a estampar de filtros de cigarros a caixas de bombons".
Foi a partir dos anos 1930, no entanto, com o aparecimento de novos desenhistas, como o americano
George Petty e o peruano Alberto Vargas, que o gênero se popularizou de fato. Uma nova estética foi criada, inaugurando o período dourado das, então alcunhadas, Cheesecake. Especula-se que o termo, documentado neste sentido em 1934, seja derivado da expressão better than cheesecake (literalmente: melhor do que bolo de queijo) usada na gíria do começo do século.
Fosse qual fosse a designação, o sucesso destas figuras era incontestável. Tanto que a revista americana Esquire exibira, desde o seu primeiro número, nos intervalos das suas páginas de política e literatura, uma Petty Girl (...) estabelecendo, em 1939, o primeiro ‘caderno central de três páginas’, que deveria ser desdobrado e destacado”.
No ano seguinte, a publicação do primeiro calendário da Varga Girl vira best-seller e as belas garotas, com cinturas quase irreais e pernas desproporcionais, ganham o título de Pin-up’s, referindo-se ao ato de pendurá-las (do inglês: to pin up) em paredes, armários e toda a sorte de locais possíveis. Conquistam também o respeito de revistas como
Time, Cosmopolitan e Look, que vêem nessa estética a possibilidade de trazer mais cor e graça as suas páginas, encomendando esboços das estrelas de cinema.

Ingênuas ou fatais, desastradas ou habilidosas, elas eram idolatradas pelos soldados americanos que serviam as Forças Armadas durante a Segunda Guerra Mundial. Estampadas até sobre a fuselagem de aviões, tornaram-se uma espécie de alívio para aqueles que arriscavam a vida nos campos de batalha, sendo, assim, carinhosamente chamadas de “arma secreta”.
Aliás, o entre-guerras acabou sendo, de certa forma, o verdadeiro genitor deste tipo de artista gráfico. Nesta época os desenhos de
Gil Elvgren ganhavam as ruas em cartazes de propagandas de coca-cola, entre outros produtos, imputando a ele o estigma de “chefe da escola maionese” e artista comercial. Não se pode negar, porém, a preocupação de Elvgren em identificar as mudanças sutis ocorridas no American Way of Life.

As modificações foram gradativas, mas perceptíveis aos olhos atentos. Após a “ajuda” dada aos pracinhas, ao “alistarem-se” como enfermeiras ou trajando uniformes da marinha, as garotas do calendário “elevaram-se de símbolo sexual libertino à ‘deusas guerreiras’ e acaba personificando a mulher americana - segura de si e audaciosa”. Tais como as Elvgren’s girls: bonitas e independentes, elas se preocupam com a beleza sem deixar suas outras atividades prejudicadas por isso. Já não dependem dos homens, são elas que colocam água no filtro, assam o churrasco do domingo, votam e até trocam pneus. Diferente das jovens concebidas por Art Frahm que, inocentes, perdem suas calcinhas a qualquer momento.

Zoë Mozert é outro nome clássico do estilo. Ela e Joyce Ballantyne eram os exemplares femininos, dentre a profusão de testosterona, dos traços que enlouqueciam os homens. No Brasil, o representante da classe foi o gaúcho José Luiz Benício da Fonseca. Benício, como é conhecido, foi o responsável pela ilustração de mais de 300 cartazes para o cinema nacional, incluindo as famosas pornochanchadas dos anos 1960. Além de produzir as capas de livros do escritor espanhol Lou Carrigan, que relatavam as histórias da bela Espiã Número Um da CIA, Brigitte Montfort. Assim criou, também, Giselle, para o livro do jornalista David Nassar: A Espiã Que Abalou Paris a qual, não por acaso, era a mãe de Brigitte.

Voltando a América do final dos anos 1940, é possível notar o fenômeno de humanização daquelas moças de papel que, agora, ganham vida ao serem encarnadas por atrizes como Betty Grable (a preferida dos pracinhas) e Marilyn Monroe ou fotografadas como a voluptuosas Bettie Page. Contudo, a glória e liberdade destas modelos estavam com dias contados. Os conservadores anos 1950 iniciaram e impuseram, as pin-up’s fotografadas, papéis mais tradicionais, como o da inocente virgem eterna, relegando, à elas, espaço apenas nas revistas masculinas.

Para piorar, o advento da Playboy, em 1953, acaba tornando ainda mais curta esta trajetória, por desconstruir a imagem quimérica existente até então.

“Por trás das suas reivindicações de liberação sexual, a revista faz da pin-up uma boneca sem personalidade. As poses são previsíveis, as fotos retocadas - as modelos são fotografadas no frio, para que as suas mamas fiquem arrebitadas. A pin-up da geração Playboy ou Pirelli - o calendário da marca de pneus nasce em 1964 - afastou-se do grande público”.


Contudo, a morte desta estética não estava anunciada. Afinal, décadas depois, ainda é possível apreciar criações interessantes, mesmo com estilo mais contemporâneo, um tanto agressivo, como as produzidas pelos desenhistas Jennifer Janesko, Hajime Sorayama e Olivia De Berardinis. Ou ainda, o resgate feito pela revista Vanity Fair, em 2006, em um ensaio com as principais promessas femininas do cinema. Todas em trajes e poses que lembram a época de ouro das cheesecake.



Sem contar com a reencarnação dos espetáculos burlescos (uma corrente que vê as garotas combinarem, no palco, o cabaré com o strip-tease kitsch) de New York, que tem em Dita Von Teese seu mais famoso exemplar. Além, é claro, das diversas anônimas que se travestem para uma viagem ao passado e dos muitos admiradores que se contentam apenas em colecioná-las.

Tudo leva a crer que esta estética ainda perdurará por muito tempo, ainda que sua trajetória lembre, por vezes, uma montanha russa.

Um comentário

  1. Oi querida, procurando pelas lindas pin ups na rede, encontrei seu blog e me encantei!!! Depois descobri que vc é amiga de umas amigas minhas na batalha contra o peso...Bom, depois vi que ama gatos e eu tb... em resumo, adorei seu blog!!! Parabéns!! Vpi te linkar e voltar sempre! Beijinhos!

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Gotas de felicidade!
Adoro quando leio seu comentário!
Obrigada pelo carinho!

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